sexta-feira, 20 de agosto de 2010

SEM SAÍDA


Pensei que tinha tanto pra falar. Achei que havia tanto pra te ouvir. Cavei dentro de mim caminhos mil que me levassem inteiro até você. Girei os meus ponteiros ao contrário. Mudei todo o meu vocabulário. Mas nada disso tudo fez sentido depois que o momento aconteceu. Minha voz me traía a todo instante, o antes que eu pensava já não existe. É triste constatar estatelado que o que restou de nós é só passado. Tentei então ser o máximo polido. Sem graça, elogiei o seu vestido. E é embaraçoso disfarçar que eu sei que nada mais tem um sentido. Dobrei então o meu contentamento de te encontrar depois de um labirinto. E se eu me despeço com alegria, não sorria: eu minto. Vou pendurar suas fotos na parede pra imortalizar uma esperança. Que um dia amarremos pontas soltas e novamente a gente viva o que é lembrança.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ENSAIO SOBRE A (minha) CEGUEIRA


Por mais passos que eu dê, eu não te alcanço. Tanta flecha que eu lanço, alvo-meu. Encontro pegadas e me apego. Tão apagadas, de um passado distante. Disco arranhado na estante. Um antes que nunca veio a depois. E quando eu penso que encontrei uma pista, perco a aposta. Agulha no palheiro, o tempo inteiro. Giro o ponteiro, volto atrás. Falta minha ou culpa sua? Quem perde mais nessa história? Quem sofre mais com essa memória? É nossa sina do eterno pique-esconde, lua-e-sol.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

MURCHOU


Não se preocupe, nada direi. Até pensei e fazê-lo, mas não quero caos, já bastam os cacos de um carinho já foi inteiro.Mas confesso, guardarei em peito-cofre meus excessos de zelo e apreço. Não mais apareço, não busco teus passos, nem cobro o que mereço. Frustrei. Perdi o brilho nos olhos, perdi o sorriso gigante. Posso forçar educação e simpatia. Posso até parecer o mesmo de antes, em meu diário voto de bom dia. Agradecerei qualquer simpatia (as honestas e as plásticas). Manterei a cordialidade em prática. Talvez, pra você, nada pareça diferente. Talvez eu tente, pode ser. Mas a essência do apreço... ah, desculpa, essa acabou de morrer.

sábado, 19 de junho de 2010

DE REPENTE, 30


Trinta anos de esboços, rabiscos, rascunhos. Algumas borrachas, verdade, mas muitos acertos. Trinta anos de tropeços e levantes. Adiante. Adiante. E se perdi vinte e vinte nove amizades, trinta e tantas outras novas me surgiram... nunca fui de guardar pedra em minhas mãos. Trinta vícios diluídos em tempo, tanto vento me soprando pro meu mar. Tanto ainda a nadar, mas já sei braçadas certas. A era da serenidade. Serena idade, os trinta. Três dezenas de história, tanta coisa em muito tempo. Pouco tempo em tantos atos, o meu palco-vida. E divido a minha ampulheta com cada pessoAreia que cruzou o meu caminho e tornou mais leve minhas pegadas. Trinta anos são nada. Tenho força pro porvir. Trinta anos nas costas... e aparência de dezoito, fique claro, é preciso admitir. :D

terça-feira, 11 de maio de 2010

BEBA-ME


Bebe, Alice. Toma a vida nas mãos e prova. Bebe dela com vontade. Não é tarde, o tempo espera. Já aprendi muito contigo, hoje sou eu que te ensino. Tenha gula pelo agora, essa sede de viver. Cresça e apareça, Alice. O mundo é seu, veja que maravilha. A chave está em suas mãos, mil fechaduras para explorar. E não se surpreenda: a trilha dessa história é você quem vai ditar.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CONFISSÃO


Moldes não me cabem. Já tentei mil vezes, confesso. Já criei personas simpáticas e táticas mediadoras. Tudo em nome de uma paz eterna. Cansei de me passar a própria perna. Há dias de caos, eu diria. Há tempos em que não ter tempo é realidade, fazer o quê? Há vezes em que eu "me casulo" pra voar depois. Há noites em que meus olhos não estão atentos e o som da minha voz é nulo. É foda quando esperam mais de mim... mas, aprendi que eu só posso ser assim.

terça-feira, 2 de março de 2010

NOVAS CORES


Um amigo meu decidiu tatuar uma fênix no corpo. E eu, que tanto gosto das mitologias, nem precisei perguntar o porquê. Ele está se recuperando de uma fase chata e pretende simbolizar para sempre essa recuperação. Renascer das cinzas. Adaptar-se. Levantar a cabeça e continuar. Dar a cara a tapa. Muitos deles, de mãos diversas, adversas. E o engraçado é que só agora me dei conta de que 2010 está sendo pra mim um ano-renascimento. Joguei nas cinzas muitas das mágoas e raivas e decepções que colecionei ao longo dos tempos, de tantas pessoas que cruzaram meus caminhos. Hoje eu me permito começar de novo. Olhar pessoas e fatos com outros olhos. Tentar voar mais longe, mais alto. Estender as mãos, entender irmãos. Um amigo meu decidiu tatuar uma fênix no corpo. Eu decidi tatuá-la na alma.